Ontem tive o prazer de assistir à peça Dùvida no Maria Matos. O texto é de John Patrick Shanley (ganhou o Pulitzer em 2005) e os principais papéis foram entregues a Diogo Infante, Isabel Abreu e Eunice Muñoz. Como o título sugere, esta parábola reflecte sobre a dúvida, mas não vou falar sobre ela. Deixo-vos espaço para a pesquisa.Mas garanto-vos que o texto é bom! E nesta encenação de Ana Luísa Guimarães, tudo é bom, tudo está certo, tudo é conveniente na medida certa. Diogo Infante mostra-nos um padre Flynn moderno e compassivo que não receia trocar a batina pelo equipamento de treino e ensinar desporto aos alunos; Isabel Abreu, a irmã James, faz transitar dos seus ombros a angústia avassaladora que carrega para os nosso próprios; e Eunice, a severa madre-superiora Aloysius, encarna o conservadorismo clerical, terminando por ceder aos impulsos naturais da sua humanidade.
A música é brilhante! Das mãos de Bernardo Sassetti saíram notas maravilhosas, tristes, angustiantes como as palavras. O piano transforma-se num espelho onde texto, personagens e cenário se reflectem. A austeridade e a esperança (e o contrário delas) modelam dois mundos que acabam por convergir.
Adorei ter tido a oportunidade de, pela primeira vez, ter visto Eunice Muñoz trabalhar. Foi magnífico! Emociona-me o seu olhar, a sua dicção, a forma como, aos 79 anos, se esquece do texto e continua, sem o macular...
Já agora, visitem http://www.teatromariamatos.egeac.pt/.
2 comentários:
Só lamento não ter assistido a esta peça especialmente estando contigo. Parvoíces
Sim, foi pena! Tenho a certeza de que irias gostar...
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