Hoje, na viagem de comboio no regresso a casa, sentei-me em frente a uma mulher nos seus early thirties, olhos verdes enormes, bonita, que bordava a família Simpson num pano branco que, calculo eu, um dia será um quadro ou uma almofada. Na paragem seguinte, entrou um quarentão de ar mal-disposto que se sentou ao lado dela. Era o marido. Ele deu-lhe um beijo na cara, à pressa, e mergulhou no jornal desportivo. Sem um olhar, sem uma palavra. Ela perguntou se ele estava bem, se o dia tinha corrido bem, ele respondeu secamente qualquer coisa como Não vês que estou a ler. Ela retomou a agulha e fomos calados, eu e eles, até à nossa estação de destino.
Não podem imaginar como tudo isto me incomodou. Esta falta de tudo, esta distância, mexeu comigo de uma maneira inexplicável, como se eu própria fosse parte da história. Enfim, as relações passam por muita coisa, e este, aparentemente, não está a ser um momento feliz.
1 comentário:
Se calhar estão cansados...olha que desses eu conheço alguns.
Embora conviva diariamente com colegas nessa situação, nós cá em casa somos diferentes, o cansaço é outro.Mas sei de casais que simplesmente coabitam, ouço relatos diários no meu escritório.O Cândido está aqui a espiar se eu estou a dizer mal dele.
Sabes ele também te lê todos os dias, somos viciados.Jinhos dos dois.
Marina e Cândido
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