terça-feira, 7 de abril de 2009

Esta manhã


no comboio, sentou-se à minha frente uma senhora nos seus late thirties, com ar de executiva, que depois de me interromper a leitura para me colocar questões acerca do percurso e do bilhete, teve um rasgo de brilhantismo, ao dizer Está a ler Saramago? Não sei como consegue ler um texto sem pontuação…

Ó minha senhora, vamos lá ver se nos entendemos! Em primeiro lugar, com tantos passageiros para incomodar, tinha logo de me escolher a mim, porquê? As informações que pediu estão escarrapachadas nos monitores da estação, há avisos sonoros, o que é que quer mais? (Além disso, o perfume ultra intenso que usa, entranhou-se-me na roupa e não há meio de evaporar.)

Em segundo lugar, Saramago não se resume à falta de pontuação. É um pouco mais do que isso, minha senhora. São ideias, são conceitos, são reflexões, no fundo, é boa escrita. E não se trata de falta de pontuação: há vírgulas e pontos; o que há é um uso diferente da pontuação, uma utilização estilística aceitável no campo literário.

1 comentário:

Anónimo disse...

Olá prima
Que "sorte" tiveste, imagina se tivesses que trabalhar com pessoas que, tenho dúvidas se conhecem Saramago...Estou deprimida...
Preciso de conversas inteligentes...
Um beijo
Marina