sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Sentido proibido

Todos sabemos que a relação estado/cidadão está longe de ser tranquila, mas cheira-me a que as coisas vão piorar. É ponto assente que o contribuinte tem deveres para com o estado, embora o português suave se reveja apenas na coluna dos direitos. Pode passar a vida a esconder facturas e a descontar enganosamente o ordenado mínimo, mas na hora do haver, é o primeiro a resmungar e a levantar o dedo. Pode nunca ter descontado um cêntimo, mas depois reclama que a reforma é miserável. O português suave faz o que pode para enganar o vizinho do lado, e por arrasto, o estado.  Quanto mais o ludibriar, mas esperto, mais engenhoso. Não é pessoa de bem. Mas o estado também não o é. Oferece serviços duvidosos e toma atitudes por vezes desrespeitosas. Despreza as suas valências, que são, no fundo, os contribuintes. Se erra nas acusações, é o lesado que tem de provar a sua inocência.

Que as coisas estão difíceis para a maioria dos estados, não é segredo. Que tem de haver um esforço conjunto para remendar todos os rasgões, é sabido por todos. Mas o esforço tem realmente de ser conjunto. Concertado. O estado não pode pedir (?) sacrifícios a uns e continuar a esbanjar. Não se podem tirar subsídios a quem deles precisa e comprar submarinos e disparates que tais. Não se podem subir impostos e trocar a frota ministerial todos os anos. Os contribuintes já não podem ouvir e calar. Têm de agir. Em conjunto. Em concertação.

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