
Como se não fosse suficiente o dia de trabalho complicadíssimo, os pés inchados e as costas doridas, ainda tive de levar com um velho companheiro da paragem de autocarro: o tourette...
Este senhor costuma estar sentadinho na paragem com a mochila da Disney ao colo a observar tudo quanto mexe até que chegue o seu autocarro. A questão é que, como caracteriza a síndrome de que sofre, o senhor berra e esbraceja. Assim, do nada. E volta ao seu estado letárgico como se nada fosse. Até ao próximo espasmo.
O pobre homem é invariavelmente alvo de risotas e as crianças acham-no o máximo. Riem-se como se rebentassem. E ele vê-as rir e continua mergulhado em si próprio. Não sei se será bem assim ou se ele tem consciência daquilo que o rodeia e se percebe que os outros o olham e riem dele, mas prefiro pensar que não.
Hoje, cansada como estava, não consegui resistir aos meus instintos infantis (ou estúpidos, talvez...) e ri-me também. Saí da fila e escondi-me e acho que ninguém se apercebeu, mas eu senti-me muito mal. Mas ri-me.












